domingo, 18 de junho de 2017

Porque é um erro para micros, pequenos e médios empresários serem de Direita

Existem dois tipos de empresários: o grupo que reúne os micros, pequenos e médios e  o grupo que reúne os grandes, gigantescos e as corporações. Mas estranhamente os micros, pequenos e médios pensam como os grandes, por acreditarem que o rótulo "empresário" une todos os tipos.

Isso se dá porque os empresários de micro/pequeno/médio porte imaginam que os grandes assam pelas mesmas dificuldades, só que drasticamente aumentadas. O fato de acreditarem que o dono de uma gigantesca indústria é igual ao quitandeiro da esquina, mas com dificuldades aumentadas cria um sentimento de solidariedade nos pequenos que acreditam que os grandes passam por uma versão ainda mais complexa das dificuldades que os pequenos encaram.

Somando a este sentimento equivocado de solidariedade há a utopia de acreditar que um dia os pequenos serão os grandes, justamente por pensar que os grandes foram pequenos um dia. Quanto a isso, é preciso lembrar de alguns detalhes. 

O primeiro é que as grades foram pequenas em tempo muito remotos. Outra coisa a lembrar é que as empresas cresceram as custas do sofrimento dos trabalhadores, pois as relações trabalhistas eram desumanas, o que favorecia a ganância empresarial e o crescimento rápido das empresas. A falta de regras limitadoras e a falta de fiscalização favoreceram muitos abusos e muita corrupção e atos de desonestidade, fazendo com que houvesse imensa facilidade no crescimento das empresas.

É verdadeiro o fato de que o trabalho honesto nunce enriquece. Até traz dinheiro, mas não numa quantidade monstruosa. O trabalho de gestor, observado nos micros, pequenos e médios empresários - e raramente nos grandes e gigantes, que contratam outros para administrar e recebem ajuda de governos e instituições financeiras (Rentismo) - envolve muito esforço, desafios e nem sempre o retorno é garantido.

Pensamento de direita entre micos, pequenos e médios é um erro

Eu tive que fazer esta explicação para mostrar aos empresários que não são grandes que a adesão a ideais de direita é um grave erro. Ganância é uma trave que emperra qualquer empreendedorismo.  O desejo de querer mais que os outros tem sido a raiz de muitas crises. Quem acha que alguém ter mais que os outros seres humanos não atrapalha a economia está fora da realidade.

Dinheiro é omo sangue: para a economia estar bem, o dinheiro tem que se movimentar. Reter dinheiro para acumular fortunas emperra a economia como um todo, já que nela tudo funciona em cadeia, com um processo ligado ao outro. Distribuir renda é fazer circular dinheiro e quanto mais justa for a sua distribuição, maior o número de beneficiários.

O pensamento de direita que legitima a ganância é um erro para micros, pequenos e médios empresários. Não é para os grandes, que se perderem clientes, podem recorrer a governos e instituições financeiras para se manter ou se recuperar. Isso, além de ter um imenso patrimônio que garante um alto padrão de vida, impedindo danos por alguma falha econômica.

Os micros, pequenos e médios empresários não possuem esta ajuda. No máximo podem recorrer ao Sebrae, que exige retorno pela ajuda oferecida. Os empresários não-grandes agem como trabalhadores, passam por dificuldades e nem sempre o retorno esperado é alcançado. Pensar como direitistas é um erro que os torna pessoas insensíveis, possibilitando torná-los gananciosos e arrivistas, prejudicando o sistema ao invés de ajudá-lo.

Por isso precisamos da união dos empresários de micro, pequeno é médio porte para ideais progressistas, que visem o desenvolvimento da sociedade como um todo, mas sem abandonar a humildade, a honestidade e o bem estar coletivo. Ninguém vive sozinho e o mundo exige cada vez mais gestores altruístas que oferecem bem estar a funcionários e clientes, sem o utópico desejo de querer ser melhor que os outros e ter que legitimar a ganância destruidora da economia.

Humorista destaca diferença entre empresários de grande porte e os não grandes

Este vídeo abaixo serve para ilustrar o que estou dizendo. É do programa do humorista Gregório Duvivier, um dos poucos que seguem e mentalidade progressista em sua orientação política. Em uma sátira de telejornal, o Greg News, ele mostra a figura do empreCário (C grifado por mim), que é o empresário que não tem grade porte, e mostra as dificuldades passadas por este tipo de gestor. 

É recomendável assistir, sobretudo ´para os próprios micros, pequenos e médios empresários que por serem metidos a grandes, ficam naquela de pensamentos de direita, legitimando ganancia e falando mal de políticos altruístas, esperando um dia serem tão grandes quanto o dono da Coca-Cola.

sábado, 17 de junho de 2017

Desmoralizada, Direita prepara Frankestein para combater Lula

Do contrário que foi anunciado no começo do golpe, acabamos descobrindo que os corruptos não eram os que foram tirados na marra em abril de 2016 e sim os que tomaram o lugar a partir de então. A esquerda foi derrubada porque atrapalhou os interesses gananciosos das elites que pagaram inúmeras forças para difamar as esquerdas, sem qualquer tipo de prova. 

Agora, com a direita desonesta instalada no poder, protegida apenas pelo dinheiro dos grandes capitalistas, o Brasil se encontra sem rumo, sob o comando de uma evidente cleptocracia. Desmoralizada e com medo da esquerda altruísta voltar ao poder, as elites gananciosas querem por que querem um representante delas governando o país.

Secretamente as elites estão trabalhando em um candidato novo, a ser fabricado sob medida por publicitários de forma industrial e comercial. Até porque publicitários, grandes industriais e gigantescos comerciantes estão juntos, com outras forças retrógradas, a impedir que o Brasil seja um país justo e que criminalize a ganância que faz os ricos serem como são.

A decisão de construir uma espécie de Frankestein foi a opção escolhida por causa da desmoralização dos direitistas tradicionais. Ficou complicado utilizar as opções existentes para combater o incessante crescimento das esquerdas no favoritismo eleitoral para 2018.

A elite escravocrata- sim a nossa elite descende dos velhos senhores de engenho, senão no DNA, pelo menos ideologicamente - deseja lucrar muito investindo cada vez menos. para isso é necessário impedir a chegada de um trabalhista no poder. Derrubaram Getúlio, Juscelino, Jango e Dilma, de uma forma e outra. Querem derrubar Lula. mesmo que este ganhe, vão tentar sabotar sua gestão para que o Brasil nunca se desenvolva e sempre garanta um escravocrata no poder.

Para a direita, desmoralizada por denúncias que revelam sua incessante ganância, se encontra perdida em retomar a confiança de uma população que ao se educar, cada vez mais descobre a necessidade de aderir a ideais progressistas, de bem estar coletivo, algo que via contra a filosofia conservadora defendida pelo grande empresariado e forças afins.

Não sabemos quem será este Frankestein. Sabemos que será alguém novo, vindo das elites - talvez um pequeno burguês capaz de convencer o brasileiro médio - de um partido novo (mesmo que seja do Partido Novo, partido recém criado para servir de possível exílio dos tucanos arrependidos) e com postura de conciliador, mesmo que esta conciliação seja para convencer os pobres a abrir mão de direitos para preservar a ganância empresarial que governa o país.

Será alguém que represente o oposto de Lula: um jovem capitalista muito bem nascido no Sul/Sudeste que consiga esconder um conteúdo velho em uma embalagem nova, a impedir uma verdadeira justiça social que ameace os interesses dos maiores capitalistas brasileiros e estrangeiros, desejosos que o Brasil nunca se torne uma potência mundial.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Nunca fomos democracia nenhuma. Um país que não tem dignidade não sente indignação

ESPREMENDO A LARANJA: Excelente observação do professor Aldo Fornazieri, uma das maiores mentes pensantes do Brasil atual. A análise feita no texto sobre a realidade brasileira é algo que sequer é observado pelas esquerdas, otimistas em alguns aspectos. Não dá para ter este otimismo quando as lutas em favor de nossa dignidade são feitas de forma inócua, passiva, sem mudar estruturas. 

"Combatemos" os abusos das elites do jeito que estas mesmas elites querem e sempre acabamos nos ferrando. Por isso que em essência, a sociedade brasileira nada mudou desde 1500. Somos exatamente os mesmos de antes: nossa herança social é a mistura da ingenuidade dos nativos com a malandragem dos exploradores. Temos medo dos exploradores e preferimos o jeitinho para nos mantermos vivos. Uma gambiarra moral que nunca nos trouxe de fato a dignidade.

Leiam o texto e reflitam. Está mais do que na hora de criarmos meios de reivindicação que pudesse nos trazer a dignidade de fato, eliminando o excesso dos que tem demais: um verdadeiro assalto que as leis - e a tolice da meritocracia - transformaram em divisão justa de direitos e bens, que aprisionam o Brasil na mais humilhante condição subalterna perante o mundo.

Nunca fomos democracia nenhuma. Um país que não tem dignidade não sente indignação

Por Aldo Fornazieri - Portal GGN

O presidente da República foi flagrado cometendo uma série de crimes e as provas foram transmitidas para todo o país. Com exceção de um protesto aqui, outro ali, a vida seguiu em sua trágica normalidade. Em muitos outros países o presidente teria que renunciar imediatamente e, quiçá, estaria preso. Se resistisse, os palácios estariam cercados por milhares de pessoas e milhões se colocariam nas ruas até a saída de tal criminoso, pois as instituições políticas são sagradas, por expressarem a dignidade e a moralidade nacional.

Aqui não. No Brasil tudo é possível. Grupos criminosos podem usar das instituições do poder ao seu bel prazer. Afinal de contas, no Brasil nunca tivemos república. Até mesmo a oposição, que ontem foi apeada do governo, dá de ombros e muitos chegam a suspeitar que a denúncia contra Temer é um golpe dentro do golpe. Que existem vários interesses em jogo na denúncia, qualquer pessoa razoavelmente informada sabe. Mas daí adotar posturas passivas em face da existência de uma quadrilha no comando do país significa pouco se importar com os destinos do Brasil e de seu povo, priorizando mais o cálculo político de partidos e grupos particulares.

O Brasil tem uma unidade política e territorial, mas não tem alma, não tem caráter, não tem dignidade e não tem um povo. Somos uma soma de partes desconexas. A unidade política e territorial foi alcançada às custas da violência dos poderosos, dos colonizadores, dos bandeirantes, dos escravocratas do Império, dos coronéis da Primeira República, dos industriais que amalgamaram as paredes de suas empresas com o suor e o sangue dos trabalhadores, com a miséria e a degradação servil dos lavradores pobres.

Índios foram massacrados; escravos foram mortos e açoitados; a dissidência foi dizimada; as lutas sociais foram tratadas com baionetas, cassetetes e balas. A nossa alma, a alma brasileira, foi ganhando duas texturas: submissão e indiferença. Não temos valores, não temos vínculos societários, não temos costumes que amalgamam o nosso caráter e somos o povo, dentre todas as Américas, que tem o menor índice de confiabilidade interpessoal, como mostram várias pesquisas.

Na trágica normalidade da nossa história não nos revoltamos contra o nosso dominador colonial. Ele nos concedeu a Independência como obra de sua graça. Não fizemos uma guerra civil contra os escravocratas e não fizemos uma revolução republicana. A dor e os cadáveres foram se amontoando ao longo dos tempos e o verde de nossas florestas foi se tingindo com sangue dos mais fracos, dos deserdados. Hoje mesmo, não nos indignamos com as 60 mil mortes violentas anuais ou com as 50 mil vítimas fatais no trânsito e os mais de 200 mil feridos graves. Não nos importamos com as mortes dos jovens pobres e negros das periferias e com a assustadora violência contra as mulheres. Tudo é normal, tragicamente normal.

Quando nós, os debaixo, chegamos ao poder, sentamos à mesa dos nossos inimigos, brindamos, comemoramos e libamos com eles e, no nosso deslumbramento, acreditamos que estamos definitivamente aceitos na Casa Grande dos palácios. Só nos damos conta do nosso vergonhoso engano no dia em que os nossos inimigos nos apunhalam pelas constas e nos jogam dos palácios.

Nunca fomos uma democracia racial e, no fundo, nunca fomos democracia nenhuma, pois sempre nos faltou o critério irredutível da igualdade e da sociedade justa para que pudéssemos ostentar o título de democracia. Nos contentamos com os surtos de crescimento econômico e com as migalhas das parcas reduções das desigualdades e estufamos o peito para dizer que alcançamos a redenção ou que estamos no caminho dela. No governo, entregamos bilhões de reais aos campões nacionais sem perceber que são velhacos, que embolsam o dinheiro e que são os primeiros a dar as costas ao Brasil e ao seu povo.

No Brasil, a mobilidade social é exígua, as estratificações sociais são abissais e não somos capazes de transformar essas diferenças em lutas radicais, em insurreições, em revoltas. Preferimos sentar à mesa dos nossos inimigos e negociar com eles, de forma subalterna. Aceitamos os pactos dos privilégios dos de cima e, em nome da tese imoral de que os fins justificam os meios, nos corrompemos como todos e aceitamos o assalto sistemático do capital aos recursos públicos, aos orçamentos, aos fundos públicos, aos recursos subsidiados e, ainda, aliviamos os ricos e penalizamos os pobres em termos tributários.

Quando percebemos os nossos enganos, nos indignamos mais com palavras jogadas ao vento do que com atitudes e lutas. Boa parte das nossas lutas não passam de piqueniques cívicos nas avenidas das grandes cidades. E, em nome de tudo isto, das auto-justificativas para os nossos enganos, sentimos um alívio na consciência, rejeitamos os sentimentos de culpa, mas não somos capazes de perceber que não temos alma, não temos caráter, não temos moral e não temos coragem.

Da mesma forma que aceitamos as chacinas, os massacres nos presídios, a violência policial nos morros e nas favelas, aceitamos passivamente a destruição da educação, da saúde, da ciência e da pesquisa. Aceitamos que o povo seja uma massa ignara e sem cultura, sem civilidade e sem civilização. Continuamos sendo um povo abastardado, somos filhos de negras e índias engravidadas pela violência dos invasores, das elites, do capital, das classes políticas que fracassaram em conduzir este país a um patamar de dignidade para seu povo.

Aceitamos a destruição das nossas florestas e da nosso biodiversidade, o envenenamento das nossas águas e das nossas terras porque temos a mesma alma dominada pela cobiça de nos sentirmos bem quando estamos sentados à mesa dos senhores e porque queremos alcançar o fruto sem plantar a árvore. Se algum lampejo de consciência, de alma ou de caráter nacional existe, isto é coisa restrita à vida intelectual, não do povo. O povo não tem nenhuma referência significativa em nossa história, em algum herói brasileiro, em algum pai-fundador, em alguma proclamação de independência ou república, em algum texto constitucional em algum líder exemplar.

Somos governados pela submissão e pela indiferença. Não somos capazes de olhar à nossa volta e de perceber as nossas tragédias. Nos condoemos com as tragédias do além-mar, mas não com as nossas. Não temos a dignidade dos sentimentos humanos da solidariedade, da piedade, da compaixão. Não somos capazes de nos indignar e não seremos capazes de gerar revoltas, insurreições, mesmo que pacíficas. Mesmo que pacíficas, mas com força suficiente para mudar os rumos do nosso país. Se não nos indignarmos e não gerarmos atitudes fortes, não teremos uma comunidade de destino, não teremos uma alma com um povo, não geraremos um futuro digno e a história nos verá como gerações de incapazes, de indiferentes e de pessoas que não se preocuparam em imprimir um conteúdo significativo na sua passagem pela vida na Terra.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ciro diz que Lula divide brasileiros. Ciro está certo

Uma declaração dada por Ciro não tem sido muito bem digerida pelos esquerdistas mais fanáticos. Em uma entrevista para o site do canal alemão Deutche Welle, Ciro Gomes disse que não gostaria de ver uma situação eleitoral com Lula candidato. A justificativa:

"O Lula, do jeito que as coisas estão no Brasil, passionaliza imediatamente o ambiente, radicaliza uma divisão entre brasileiros simpatizantes do Lula e brasileiros que o odeiam. Dessa maneira, o país não terá a oportunidade de discutir o seu futuro, a complexidade dos seus problemas, a estratégia de superação desta crise monstruosa pela qual estamos passando".

Automaticamente a esquerda entrou em fúria, por entender a declaração como "Lula não serve para ser candidato". Usando a mesma linha de raciocínio de emburrecida direita, a esquerda esqueceu que o comentário se refere às circunstâncias e não ao Lula em si. E se analisarmos, Ciro estava certo. 

Reputação destruída graças a boatos e lendas

Ninguém aqui está contra Lula ser candidato. Eu gostaria que Lula voltasse a ser presidente, mas num cenário político mais tranquilo. O problema não está em Lula, mas o que ele representa para uma população majoritariamente alheia aos bastidores da política. Para muitos, assistir Jornal Nacional,  ler O Globo e falar mal de político, são o suficiente para "ter conhecimento sobre política".  

E justamente isso que tem transformado Lula em vilão, com base nos inúmeros boatos lançados na grande mídia - pessoalmente interessada em derrubá-lo - criando este clima de intolerância. Lula foi violentamente surrado pelos meios de comunicação, num ato bullying midiático a níveis nunca vistos no Brasil. Sem mover um dedo, Lula tem a sua reputação praticamente destruída.

Não apenas Ciro, mas também o presidente do PCO, Partido da Causa Operária, Rui Pimenta, faz também uma observação sobre a influência da reputação de Lula nas eleições. Mesmo que vença as eleições e consiga se manter no cargo de presidente, Lula será hostilizado. Como os opositores de Lula pertencem às elites, eles tem muito dinheiro, por isso capazes de influir na opinião pública e transformar atos de violência e manifestações de intolerância em atos de "legítima defesa". 

Bom lembrar um fato que é pouco comentado: de que o cargo de presidente da República é o cargo favorito ara ser vidraça para a população. É um "esporte" favorito do brasileiro (depois do hiper-estimado futebol) falar mal de presidentes da República. Curioso que existe leis que proíbem ofensas a presidentes, passíveis de punição.

Opositores de Lula não querem diálogo

Mesmo que Lula faça um excelente governo - ele promete fazer melhor do que fez, sem os erros que cometeu - a tradicional falta de racionalidade do brasileiro, reforçada pelo ódio contra estereótipos falsamente atribuídos à tendências progressistas, criará uma venda que tapará os olhos dos opositores diante do sucesso da gestão lulista. Conservadores não conseguem imaginar uma hipótese em que Lula esteja sendo difamado, vítima de incessantes mentiras.

A elite que nunca aceitou um presidente nordestino, sem diploma e com voz estranha, e que encontrou nos boatos sobre corrupção uma justificativa para legitimar seu odioso preconceito, não quer saber de boas gestões. A elite sempre quis e quer um representante dela na presidência, nem que seja somente para ficar deitado numa rede olhando para o céu, tomando whisky caro com uma linda adolescente deitada ao seu lado.

O comentário de Ciro Gomes, um cara que creio ser o melhor que a esquerda pode oferecer para concorrer à presidência, pois não tem o estereótipo negativo que assusta a direita, é sensato. O próprio, que é amigo pessoal do ex-presidente petista, já demonstrou em outras ocasiões ser a favor de uma candidatura Lula, mas em tempos mais calmos. 

Eu mesmo presencio constantemente demonstrações de ódio agressivo diante da simples pronúncia da palavra "lula". Em Niterói, cidade majoritariamente elitista (e de temperamento agressivo), o neo-conservadorismo não apenas está em alta como é incessante e agressivamente teimoso. Se depender de grande maioria dos niteroienses, Lula não somente não seria candidato como mereceria ser preso ou ate morto. Niteroienses preferem ter um sádico genocida na presidência da República do que um político progressista.

Elite gananciosa é o principal problema do país

A observação de que Lula não deveria ser candidato em 2018 é correta. Somos gratos pela excelente gestão de seus dois governos. Mas ele na presidência nos próximos anos, em clima de ódio coletivo, é atiçar a ira dos conservadores. Conservadores não querem diálogo e estão empenhados - sobretudo financeiramente - a derrubar a reputação de qualquer um que atrapalhe seus interesses gananciosos de poder e de divisão da sociedade em classes. 

Se depender das elites, o Brasil tem a obrigação de mergulhar em um "tranquilo" apartheid social. Lula atrapalha estes planos. Por isso deve ser derrubado, O papo de corrupção com pedalinho e apartamento jeca em Guarujá é apenas uma tentativa - infelizmente bem sucedida - de desmoralizá-lo e impedi-lo de concorrer a presidência para provavelmente ganhar.

O ódio a um presidente retirante, com estereótipos ligados à pobreza, é o verdadeiro motivo desse ódio. Conservadores sabem que Lula conhece os problemas do país e sabe como resolvê-los. E o principal problema do Brasil é a sua própria elite, autoritária, gananciosa, preconceituosa e teimosa. Isso explica tudo.

Mas enquanto esta elite for a maior beneficiada do país, é melhor que Lula e os petistas se aquietem e deixem a presidência para outra época. Melhor apoiar outro candidato progressista menos estigmatizado e esperar a "poeira baixar". Se insistir em triunfalismo, achando que está vencendo quando não se está, as coisas poderão piorar e levar a sociedade a uma sangrenta guerra civil. Isso já acontece no Oriente Médio. Queremos que aconteça aqui?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Direita adere ao "Fora Temer" mas não larga as suas convicções

As pessoas estão felizes com a aparente unanimidade pela saída de Temer e de sua equipe. mas política é algo complexo e ainda é muito cedo para fazermos qualquer tipo de comemoração. Até porque se todos concordam com a saída do presidente golpista, discordam sobre os rumos do país após a saída dele.

O descarte de Temer, de sua equipe e do PSDB mostra que a direita nunca foi a favor de pessoas. Conservadores odeiam seres humanos. Gostam apenas de valores, patrimônio e instituições. Pessoas só servem quando são úteis para defender ou acumular as três coisas ciadas na frase anterior. Quando a utilidade acaba e/ou quando se tornam incômodas ou nocivas, a atitude é descartar.

Não pensem que os direitistas se arrependeram do golpe e se sentiram traídos. Conservadores conhecem muito bem seu aliados durante esta condição. O que acontece é que o golpe, do jeito que está andando, não consegue satisfazer a ganancia dos conservadores. Temer virou um molenga. Era preciso tirar para colocar algum troglodita com coragem para ferrar a população.

A adesão de grande parte da direita ao "Fora Temer" deve ser vista com desconfiança e não como uma atitude de rendimento. Conservadores têm interesses pré-definidos e se empenham muito com o objetivo de satisfazê-los. Fazem planos e gastam fortunas para que a realidade se molde com base exclusiva nas convicções conservadoras. é por isso que em pleno século XXI mudamos tão pouco. Por insistência dos conservadores em quererem que o senso comum aceite as coias do jeito que estão.

Aliás, devemos estar atentos. As foças conservadoras são traiçoeiras e adoram dar o bote na hora certa. É preciso encarar com desconfiança a adesão deles e imaginar que há um plano secreto por trás que pode ser até pior que o golpe executado por Temer.

A direita ainda vive no passado remoto. Sonha com um misto de Idade Média, Brasil Colônia e Alemanha Nazista. Ela fará tudo para que o século XXI nunca chegue no Brasil. Precisamos agregar ao "Fora Temer" tudo que estiver de acordo com este neoconservadorismo retrógrado. Senão, poderemos tirar Temer e colocar um maluco sádico a explodir totalmente o Brasil.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Globo quer descartar Aécio e Temer para se salvar e pegar Lula

Um balão está prestes a voar. Para se manter nas alturas e não se esborrachar numa queda de muitos metros, o balão deve se livrar de seus pesos. Depois de livrar de muitos pesos incômodos, só sobrou os sacos de ouro dentro do balão. 

E agora? Os passageiros do balão se perguntam, após perceberem o dilema em que se meteram: jogam fora o ouro e continuam a viagem ou ficam com o ouro e se espatifam pelo chão. Preferiram descartar o ouro para que não morressem em queda livre.

Foi o que fez a grande mídia, comandada pela Rede Globo. Depois de uma deterioração de sua credibilidade, por evidente parcialidade e revelação de interesses mesquinhos, a emissora decidiu abrir mão dos políticos que apoia para poder sobreviver e tentar recuperar a credibilidade perante boa parcela do público. 

Claro que ela ainda mantinha a credibilidade para uma boa parcela dos conservadores - eu mesmo conheço vários, inclusive dentro da família - mas a sua reputação estava abalada porque suas atitudes deixavam claras as suas intenções de mentir e proteger os interesses particulares de seus donos e dos patrocinadores que anunciam na emissora.

Política como um jogo de Xadrez

Mas engana-se quem pensa que a Globo se revelou imparcial e se voltou contra os citados políticos de direita responsáveis pelo golpe. A política é como um jogo de Xadrez e a Globo recebeu um xeque e para não virar xeque-mate, decidiu escolher duas torres para não encerrar o seu jogo.

Aécio Neves estava até o pescoço envolvido em uma série de denúncias muito mais graves que o apartamentinho fuleiro atribuído ao seu concorrente. Estava praticamente impossível a mídia salvar aquele que era a sua escolha para ocupar a presidência em 2019. Deve ter acontecido uma auto-crítica entre a cúpula da emissora que decidiu por descartá-lo e tentar procurar outro - fala-se em uma escolha de dentro da emissora, justamente do melhor amigo de Aécio Neves que apresenta um programa aos sábados - que possa ser melhor trabalhado publicitariamente.

Quanto a Temer, algumas coisas a observar. Temer não governa o país. Ele na verdade é um office-boy de luxo das maiores elites instaladas no país. A missão dele é facilitar as condições para que a ganância do empresariado nunca possa ser ameaçada e vender as riquezas do país para especuladores estrangeiros, desinteressados no bem estar social. Cumprida esta missão, Temer não interessa mais.

Uma das medidas mais interessantes ao capital especulativo, a "reforma" da Previdência Social, está prestes a ser votada e se conseguir ser aprovada, Temer cumpre a sua missão e já pode deixar o governo. Outras medidas interessantes ao capital especulativo já foram aprovadas e ate mesmo a nossa soberania foi ameaçada com a venda de riquezas e a permissão da intervenção ianque em nosso território por meio de exercito, de agentes secretos e da utilização dos nossos satélites.

Saída de Temer não muda as coisas se preservar interesses das grandes elites

Não pense que a saída de Temer, já desejada por setores conservadores, vai acabar com tudo isso. Como eu disse, Temer não passa de um office-boy a mando dos grandes capitalistas, estes sim os verdadeiros governantes secretos do país. Temer ou quaisquer outros não mudam nada desde que sejam preservados os interesses desses grandes capitalistas. É infantil pensar que só Temer sair que melhora tudo. A política é complexa e deve ser vista com os olhos de um cientista.

Temer será mantido enquanto houver necessidade. Os grades capitalistas - incluindo a Globo e seus patrocinadores - se empenham a todo custo impedir que um político trabalhista e adepto de medidas altruístas volte ao poder. Interessa a eles um político que preserve as desigualdades, oferecendo caridade paliativa no lugar de projetos sociais para que os pobres se mantenham vivos, mas sem deixar de ser pobres.

O cenário político se assume caótico a partir de hoje. Mas fique bem atento. A finalidade de tirar Lula do jogo eleitoral ainda continua de pé. Lula é o que melhor representa o trabalhismo e o fim das desigualdades. Mas quem se dá bem com crises e injustiças está com o dinheiro e a grande mídia nas mãos. Os capitalistas agirão até não poderem mais para que seus interesses sejam preservados e um representante deles seja colocado no Planalto. Lula é o maior obstáculo para isso. Eliminá-lo é a meta das elites e tudo será feito até derrubá-lo definitivamente, por cassação, prisão ou até por morte.

A direita parece ter enfraquecido com as denúncias contra Aécio e Temer? Negativo. Isso é armadilha para enganar progressistas e preparar uma surpresa bem desagradável que pode piorar ainda mais as coisas em nosso país. O caos está instalado. Aguardemos suas consequências.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Qual o Brasil que os direitistas querem?

Uma pessoa que se julga racional e inteligente, diante de erros que observa, certamente deveria oferecer uma alternativa que pudesse ser bem melhor que o que esta pessoa está criticando. Sempre esperamos propostas alternativas vindas de críticos, pois se eles acham a realidade ruim, provavelmente sabem o que deveria ser uma realidade correta.

Até este segundo espero algo racional vindo de direitistas. Não obtive. Rastreio o YouTube e blogues atrás de algo lógico proposto por alguém assumidamente de direita. Nada. Além do ódio manifestado por ideias das quais eles não se afinam e do desejo de ver seus opositores na miséria, na prisão ou ate na morte, não há algo diferente disso que venha de alguma mente conservadora.

Fiquei pensando: se eles não gostam do país como está, que tipo de Brasil eles desejam? Como deveriam ser as características do Brasil desejado pela direita. Conhecendo seus pontos de vista, é impossível imaginar algo progressista sobre o Brasil desejado por eles.

Mas nem isso os direitistas se manifestaram a respeito. Ocupados em difamar seus opositores e difundir mentiras para agravar ainda mais a difamação já feita, até hoje não pararam para planejar seu ideal de país. Fica a impressão que eles só querem mesmo é destruir aquilo que eles detestam. Se o país piorar após isso, ele pegam a grana e fogem para um lugar melhor. O patriotismo alegado por eles era pura fachada para atrair simpatia de multidões.

Além de ignorantes e sem propostas, os direitistas se mostram uns verdadeiros hipócritas. Falam muito em patriotismo e realizam manifestações com as cores da bandeira. Mas exaltam valores ianques e não se importam em ver nossas riquezas sendo vendidas a estrangeiros e nossas terras sendo invadidas por forasteiros (desde que estes sejam "de elite"), arruinando nossa soberania.

Acredito que o Brasil sonhado pela direita seja um imenso deserto, impróprio para a vida humana, onde nem eles mesmo conseguiram viver. 

Ninguém vive num país sem benefícios, arrasado por uma invasão de corsários gananciosos vindos do "Grande Império". Sim, estes corsários invisíveis que pagam direitistas para falarem besteiras.

terça-feira, 16 de maio de 2017

"Crescer o bolo para depois repartir". Mas que bolo?

Ganância é um defeito terrível. É arrasador. Tão prejudicial quanto tsunamis ou colônias de cupim dentro de um armário. Mas é este sentimento que sempre governou o país, mas esteve ameaçado nos governos de Lula e de Dilma. A nossa elite, tradicionalmente gananciosa precisava recuperar seu "direito" de ser gananciosa. Era preciso agir. Agiu, aconteceu o golpe e o resultado está aí.

O Capitalismo, tido como um sistema "moderno" pelos conservadores que em suas mentes ainda vivem na Idade Média, é um sistema decrépito. Foi útil em uma fase da humanidade, mas hoje vive em estado terminal. Não serve mais para um mundo cujos problemas precisam ser resolvidos de forma altruísta. Um sistema que tem a ganância como base é a pior coisa que deveria existir para os dias de hoje.

Falam em crises. Mas a crise faz parte do Capitalismo. Um sistema construído com base na ganância gera crises inevitáveis. Otário quem acha que crises são resultado de erros de fulano ou sicrano. O Capitalismo é a própria crise. A crise só vai acabar se o Capitalismo acabar e dar lugar a uma outra ideologia mais altruísta. Se insistirem no decrépito Capitalismo, pode crer, crises não só continuarão como crescerão gradativamente.

Crises fazem parte de sistemas gananciosos. Crises são a essência do Capitalismo. Sem crises, não existiriam as injustiças originarias para a concentração de renda. É preciso que crises existam para capitalistas abusarem à vontade. Até porque gananciosos são naturalmente abusados O Abuso é a prática da ganância.

Está na cara o fato de que o golpe de 2016 surgiu no desespero de salvar o Capitalismo e os interesses dos gananciosos. Lula e Dilma estavam querendo repartir o bolo e isso apavorava os homens mais ricos do Brasil. Era preciso tirar a esquerda altruísta do caminho e retomar o respeito à fidalguia colonial. Até porque os maiores empresários brasileiros são descendentes dos velhos senhores de engenho. Beneficiar os outros não é a especialidade deles.

Gravei um vídeo, em linguagem fácil para leigos, mostrando como o Capitalismo é nocivo. De que adianta "aumentar o bolo para depois repartir" se quem quer "aumentar o bolo" são os mesmos que não querem repartir? Vejam o vídeo abaixo. Impossível não entender a mensagem dita nele.

domingo, 14 de maio de 2017

Porque a grande mídia ainda é altamente confiável?

Embora a esquerda esteja em clima de festa porque pensa que está ganhando, não é bem o que se vê nas ruas. Muita gente, inclusive pobres, que ainda comentam os assuntos políticos na perspectiva conservadora, crente na falsa tese de que progressistas não passam de criminosos e que o empresariado é formado por "homens responsáveis comprometidos com a evolução do país". Esta crença parece arraigada e acredite, ainda não vi em minha cidade, Niterói, ou no meu circulo social em outras cidades e estados (salvo meu irmão e amigos em redes sociais) alguém pensar o contrário.

Isso acontece porque no Grande Rio ainda existe uma confiança na grande mídia. Talvez porque as sedes das empresas de comunicação estejam aqui, além de ser a residência de celebridades, incluindo os apresentadores de telejornal e boa parte dos redatores que escrevem nos maiores jornais e revistas. É comum ver trabalhadores indo para o trabalho pararem diante de bancas para lerem as manchetes tendenciosas de jornais e revistas corporativas.

Mas porque, mesmo com os incessantes alertas divulgados pela internet de que a mídia oficial é controlada por gananciosos interessados em derrubar lideranças progressistas, ainda há a confiança nos meios de comunicação oficiais, fazendo com que as pessoas comuns passem a defender os mesmos pontos de vista dos maiores empresários do país? A resposta está em uma única palavra: profissionalismo.

Mídia oficial passa ideia, mesmo falsa, de profissionalismo

Não que não haja profissionalismo na internet. Pelo contrário: na internet tem encontrado blogues e sites que tem sido muito mais profissionais que os meios oficiais. O problema é que enquanto para trabalhar na mídia oficial se exige profissionalismo, nem que seja para apenas mentir, na internet qualquer um pode divulgar notícias: o profissional e o não-profissional. Isso deixa pessoas menos informadas em dúvida sobre o que está sendo escrito na internet é verdadeiro ou não.

Para muitos, sites como O Diário do Centro do Mundo (para mim um dos melhores sites jornalistico da atualidade) pode ser escrito por gurizinhos trancafiados em um quarto diante de um computador, já que boa parte de seus responsáveis não são conhecidos do grande público.

O jornalismo alternativo ainda não possui o prestígio e o poder de influência da mídia oficial. Como o Brasil nunca se preocupou com a democratização dos meios de comunicação por acreditar que ela já estaria suficientemente democratizada, o poder de influência dos meios oficiais, sobretudo a Rede Globo, cresceu monstruosamente a ponto de mandar na política brasileira apelando para a distorção de informação.

A má formação intelectual do povo brasileiro, avesso a racionalidade e excessivamente crédula, garante a hegemonia da mídia oficial, que molda o que se conhece como "senso comum". E nem adiante citar fatos, pois os mitos difundidos pela grande mídia passam a ser vistos como verdades absolutas, por mais absurdas que sejam. Até porque uma população muito mal educada como a brasileira é incapaz de separar o absurdo do aceitável.

A ilusão de profissionalismo consagrada pela mídia oficial lhe dá credibilidade, pois quem dá atenções aos meios oficiais acredita na responsabilidade com a divulgação dos fatos. É impossível para o mais incauto - e para o mais inculto também - imaginar que William Bonner, por exemplo, age como um menininho peralta, espalhando mentiras para todos os cantos. O tom de voz sóbrio e o fato de usar terno e gravata (algo estranhamente liberado para as mulheres) impedem que haja uma suspeita de irresponsabilidade, mesmo que ela de fato exista secretamente.

Internet tem informação boa e informação má. Use o bom senso para identificar

Já na internet, onde qualquer pessoa pode escrever, fica difícil para os menos informados saberem qual site é confiável ou não. Convivem sites sérios, com informação verdadeira (como o DCM que eu mencionei), a grande mídia e sites que mentem, mas com sutileza, até os sites de fake news que escancaram mentiras de forma quase pornográfica. Há suspeitas de que alguns sites de fake news sejam mantidos pela mídia oficial. Mas só suspeitas, embora haja uma certa afinidade ideológica (embora divergente na atitude) entre os fakes e a mídia oficial.

Outra coisa importante a observar é que segundo o senso comum brasileiro, uma coisa que é durável passa a ideia de êxito, de que é algo que valeu a pena existir. Uma emissora como a Globo, em atividade desde 1965, aos olhos dos mais ingênuos não pode ser considerada inviável, pois para elas coisas inviáveis nunca duram. Ah, não? O cancelamento de séries de TV excelentes e o prolongamento de séries ruins prova que este estereótipo de que "o que dura é que é bom" o já deveria ter sido derrubado há décadas.

Até as pessoas se livrarem de estereótipos e se interessarem por novas formas de divulgar e receber notícias, considerando a obsolescência da mídia oficial, as mentiras ainda vão se depositar no senso comum, fazendo as pessoas encararem a política de forma errada, trocando vilões e heróis de posição e achando que os mais gananciosos líderes do país irão se sensibilizar com a dor da população mais carente e lutar por melhorias que de fato vão contra o interesse dessas lideranças. 

O povo precisa aprender a saber a reconhecer a cara de um mentiroso, que nem sempre parece com a imagem que se conhece de um mentiroso. A verdade nunca foi, não é  e nem será uma propriedade privada exclusiva da grande mídia.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O que a gente pode entender sobre a contratação de novatos pelas Organizações Globo

Uma coisa estranha tem aparecido na telinha da Globo nos últimos dois anos: um festival de carinhas jovens e desconhecidas sendo despejadas não somente pelo entretenimento mas também pelo jornalismo. Outras emissoras também fazem o mesmo, mas a Globo faz de forma maciça. Além de que a Globo, por ser mais vista que outras emissoras, faz este detalhe ser mais notado.

Não pensem que a Globo, assim como as outras emissoras estão de olho em novas ideias e renovação geral, ao tomar esta iniciativa. Longe disto. Ou melhor, é justamente o oposto, acreditem se quiser. Mudar a forma para não mudar a essência.

A Globo e outras emissoras estão aos pouco demitindo grandes profissionais que se decepcionaram com a guinada fascista da emissora, que anda abrindo mão da ética, soltando o chamado fake news para manipular as mentes de seus telespectadores para quem pensem igual a seus donos e patrocinadores. No lugar de grandes profissionais, contrata-se jovens vindos do nada. Mas se não é para renovar, porque emissoras consagradas como a Globo passaram a fazer isso?

Economizar custos e proteger "cultura" da empresa

Profissionais jovens são mais baratos, além de serem muito vulneráveis. Por estarem em começo de carreira, não possuem opinião e são obrigados, por sobrevivência a pensar como seus patrões. Claro que o prestígio de trabalhar na Globo os fascina, mas o medo de ir para a rua com carta de não-recomendação da ainda prestigiada emissora os faz submissos. 

Para quem não conhece os bastidores do jornalismo corporativo brasileiro - sem a paixão profissional estigmatizada na profissão, hoje exclusividade de blogs alternativos de linha progressistas - o que a Globo faz parece uma renovação, um sinal de modernização. Mas quem conhece os donos e patrocinadores, vários herdeiros de antigas famílias de senhores escravocratas, sabe que renovação nunca foi a meta da emissora. Até porque se eles renovassem de fato, os próprios donos seriam os primeiros a serem mandados para a rua.

Economia de custos e manutenção da retrógrada cultura empresarial (termo técnico da Administração que significa a ideologia que orienta o funcionamento da empresa): este é o verdadeiro objetivo na contratação de carinhas jovens nas emissoras de comunicação. Quem vê modernidade nisso é porque vê apenas cara, mas não vê coração.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Porque os "cidadãos de bem" odeiam Lula?

É sabido que as pessoas ricas, as de classe média alta e os que os apoiam detestam Lula. O ódio é claramente subjetivo, mas para ficar bem diante da opinião pública, era preciso inventar um defeito para Lula que não favorecesse a acusação de preconceito.

A mídia tratou logo de inventar um defeito para Lula: o político "mais corrupto do país". Alguém que por ter vindo das classe pobres "se empenhou em crescer desonestamente", lógica que tem base na "tese do ladrão de galinha" que predomina na mente de uma elite alienada que acha que rico não rouba. Ricos são os que mais roubam porque precisam aumentar constantemente seu padrão de vida.

Na verdade, o papo de que Lula é o "mafioso", "chefe" de um esquema de corrupção, foi criado para que o ódio de ver uma pessoa de origem pobre, com voz estranha, sem diploma de nível superior (apesar do excelente conhecimento sobre Economia, como foi comprovado em inúmeras entrevistas e no sucesso de sua gestão presidencial) e nascido no Nordeste brasileiro, pudesse ser legitimado.

As elites detestam a ideia de serem lideradas por um estadista que corresponda aos estereótipos de alguém que elas julgam preconceituosamente como "inferior". Para que as elites aceitem alguém como Presidente da República, o candidato ao cargo deve ter as seguintes características ou pelo menos algumas delas:
- Ter origem em classes abastadas, de considerável poder econômico.
- Ter diploma de nível superior, de preferência, de cursos prestigiados.
- Ter "boa aparência" (algum nível de beleza física, de preferencia da etnia caucasiana).
- Ser nascido nas Regiões Sudeste ou Sul do Brasil.
- Ter voz elegante e limpa (não-fanha, não-rouca, etc.) e de preferência poliglota.
- Ter ideias que não sejam conflitantes com os interesses das classes dominantes.

Como Lula não se encaixa em nenhum desses itens, as elites e todos os que as apoiam não querem ver Lula ocupando algum cargo no Poder Executivo. Mas as mesmas elites não podem usar isso como justificativa pois deixaria escancarado o preconceito, fazendo com que esta elite seja mal vista pela opinião pública.

Inventar defeitos para legitimar preconceitos

Mas como assumir a rejeição a um tipo sem assumir o seu preconceito, mantendo intacta uma boa imagem diante da sociedade em geral? Inventar defeitos para o inimigo. Acusações falsas de corrupção, com uma ajudinha publicitária da grande mídia, sempre compactuada com os interesses das elites, foi a melhor atitude para os preconceituosos.

Se rejeitar um presidente por ser pobre e nordestino pega mal, não se pode dizer o mesmo quando se acusa este mesmo pobre e nordestino de ser "corrupto". A justificativa ficaria assim: "o problema não é ser pobre ou nordestino; o problema é ser corrupto". Simples.

Reparem que quando Lula esteve na presidência, o esporte favorito das elites era procurar defeitos em Lula para que pudesse deslegitimá-lo sem que isso parecesse preconceito de elite ou de etnia. Com ajudinha da grande mídia e reforçado pelo pseudo-heroísmo do juiz do PSDB, Sérgio Moro, conseguiram fazer com que um pobre nordestino pudesse ser difamado de forma que a sociedade pudesse entender de forma legitimada.

Também o episódio serviu para mostrar como é fácil, com um pouco de empenho, destruir a reputação de alguém que não correspondam aos interesses de elites preconceituosas, gananciosas e que sonham com um Brasil que funcione exclusivamente para elas.

domingo, 7 de maio de 2017

Surreal: os que mais reclamam da corrupção são os que não são prejudicados por ela

O Brasil é um país surreal. Nosso tradicional desprezo pela intelectualidade permite que muitos absurdos e contradições sejam facilmente aceiros pela sociedade, além de estimular a nossa tara por coisas abstratas (fé religiosa, vitória do futebol como sinônimo de dignidade e a corrupção). Sobre esta última, vamos falar agora.

Economistas sérios garantem que a corrupção, além de não ser o principal problema do país, nem mesmo e raiz dos problemas. A raiz está nas desigualdades sociais, que reservam privilégios para uma parca minoria abastada. Mas a sociedade encasquetou que o problema maior do país é a corrupção, praticamente sem saber realmente o que significa a palavra.

Ninguém sabe realmente o que significa a palavra corrupção. Vários acham significa qualquer tipo de delito ou crime cometido por políticos (e não somente políticos cometem corrupção, mas todas as classes profissionais). Outros apenas sabem da carga negativa da palavra, que significa algo ruim. Mas todos acham que acabando a corrupção, acabam todos os erros do país, pensando ser a origem de todos os problemas. Não é.

Combate a corrupção é desvio de foco de problemas mais graves

A grande mídia, patrocinada pelos maiores empresários brasileiros e estrangeiros instalados no país e controlada também por empresários gananciosos, achou ótimo difundir a ideia de que a corrupção é o maior mal. É o pecado original da "religião" neoliberal. É um bom modo de fingir preocupação social desviando o foco dos problemas mais concretos do país. Se combatemos a corrupção, não precisamos distribuir renda e fazer leis mais justas. O fim da corrupção faz o resto.

O que deve ficar claro é que ninguém aqui está contra o combate a corrupção. Corrupção é um erro e tem que ser eliminada. Mas achar que combater a corrupção é tudo é o mesmo que querer curar um câncer com remédio para dor de cabeça. Eliminar dores de cabeça não vai acabar com o câncer.

Mas o que me deixa pasmo é que os que mais reclamam da corrupção e exigem seu combate imediato são justamente os que não são prejudicados por ela: conservadores com vida abastada ou semi-abastada (classe média alta). O que faz com que gente que não é prejudicada por corrupção e nem tem o costume de ser altruísta se revoltar contra a corrupção. É o que na gíria se chama de "se jogar para a plateia", ou seja, fingir bom mocismo e compromisso com o bem estar humano.

Os supostos revoltados pela corrupção tem dois objetivos:
- Encontrar na corrupção um meio legitimo de estarem avessos à presença de um representante de "classes inferiores" em cargos executivos na política.
- Angariar apoio popular a sua causa particular, fingindo preocupação com a humanidade, em se mostrar contra o que seria "o maior problema do país".

Quem é mais sensato deve ter reparado que os maiores críticos da corrupção fazem isso por puro moralismo, pois, pertencendo ás classes privilegiadas, não fazem uso de serviços públicos, o que justificaria a sua inutilidade em protestar contra a mesma. 

Ricos e classe média nunca lutaram pelo país

Fingir que está "lutando pelo país" ou "agindo em favor do povo" não convence, pois a classe que reclama contra a corrupção nunca deixou de comprovar a sua falta de sensibilidade aos problemas dos outros. Uma classe evidentemente egoísta e não raramente gananciosa.

Na verdade, tudo é feito para que os interesses dessa classe gananciosa, pouco preocupada com a coletividade e desesperada em um mundo em transformação que poderá prejudicar seus privilégios, sejam preservados. Claro que eles precisam de apoio e uma falsa moralidade sempre é boa para provocar comoção e atrair simpatia, fazendo com que multidões defendam os interesses que na prática são de uns poucos.

Mas tudo não passa de uma farsa e esta "elite" abastada, supostamente preocupada com a corrupção, é mais corrupta que muitos dos políticos que critica, obtendo os seus privilégios da maneira mais fácil possível e pouco se lixando se prejudicaram alguém pelo caminho. 

Pensem nisso: ao ver um abastado reclamando da corrupção que não só não o prejudica como não raramente o beneficia, desconfie. Ele com certeza está fazendo você de otário.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Criminalização do PT e a lógica do ladrão de galinha

A soltura anunciada ontem, do petista José Dirceu, ativista contra a ditadura militar nos anos 60, irritou os conservadores, que viam nele um criminoso de alta periculosidade, numa delirante capacidade de imaginação, já que nada foi provado contra o líder petista.

Mas é isso mesmo. Petistas estão sendo criminalizados somente pelo fato de serem petistas. Corrupção é uma palavra muito pronunciada ultimamente, mas ninguém se preocupou de explicar o que realmente significa tal palavra. No senso comum, "corrupção" virou qualquer tipo de crime ou delito que envolva a presença de políticos, sobretudo os progressistas.

Porque progressistas e mais ainda os petistas, são criminalizados assim, de graça, sem cometer qualquer tipo de crime? Petistas erram, sim, e erraram muito. Mas transformar um partido em instituição criminosa, como se fosse uma máfia, é de fato um ódio irracional contra alguém sem afinidade ideológica. Até porque, mesmo tendo 100% de corruptos (como garantiu Romero Jucá), o PSDB não é classificado pelo senso comum como um antro de bandidos.

O problema é que o PSDB tem bandidos de colarinho branco. Bandidos de colarinho não despertam ódio da população. O terno e gravata impõe respeito social. Engravatados entram e saem de prédios de luxo sem se identificar. Mesmo que um engravatado seja confirmado como um bandido, as pessoas sentem uma hesitação na hora de linchá-lo ao ar livre.

Geradoras de energia X Um prédio de classe média no Guarujá

O que significa roubar uma gigantesca empresa de energia como Furnas para uma população comum? Nada. Mesmo que a corrupção em Furnas interfira na recepção de energia elétrica na casa de qualquer brasileiro, é um escândalo muito ditante da realidade do brasileiro, que prefere se incomodar com coisas que conhece, como ganhar um prédio cafona da mão de empreiteiras.

Isso significa que os escândalos envolvendo Lula, com prédios cafonas, sítios modestos, caixas de cerveja, irritam muito mais a sociedade do que desvios de gigantescas quantias de dinheiro de grandes empresas de energia e de construção. O povo se indigna por aquilo que conhece. 

Ouvi recentemente um vídeo do ator e ativista progressista Benvindo Sequeira, de quem eu gosto muito, pelo talento, pelo caráter e pela franqueza com que ele trata os assuntos do cotidiano. Não me lembro qual vídeo, mas recomendo todos os vídeos dele, tanto os sérios como os engraçados.

O tal vídeo falava que as pessoas se indignaram quando o presidente Temer foi acusado de encher seu avião particular com toneladas de sorvete e guloseimas pagas com dinheiro público. As mesmas pessoas que se indignaram foram as mesmas que costumam ignorar a corrupção que envolve quantias estratosféricas de dinheiro, como as negociatas de Temer com gigantescas empresas. 

O que acontece é que o povo se revolta contra aquilo que conhece. Se revoltar contra bolos e sorvete pagos com dinheiro público é algo mais fácil, pois pessoas comuns conhecem bolos e sorvetes. Corrupção envolvendo comida é mais fácil de compreender

A lógica do ladrão de galinha

O respeito a ladrões de colarinho e a não-revolta com casos gigantescos de corrupção tem muito a ver com o fato das pessoas só se indignarem com casos que conhecem. Coisas do cotidiano que eles podem enxergar de perto. É a lógica do ladrão de galinha.

Ladrão de galinha é o nome que se dá ao ladrão de origem pobre que geralmente rouba por necessidade. Geralmente mal vestido ou sem camisa, cheio de sujeira pelo corpo, com fala cheia de erros gramaticais e um jeito de matuto, é o tipo de ladrão estereotipado e que provoca o medo e a raiva das pessoas em geral.

Ninguém se desvia de um homem de terno e gravata. Mas se aparece um cara mal vestido e sujo, todo mundo atravessa a rua imediatamente para ficar longe do sujeito. Mesmo que o engravatado seja bandido e o mal vestido seja apenas um indigente honesto.

Há um estereótipo do rico que diz que ele não precisa roubar. Mas acreditar nisso é um erro, pois ricos são os que mais roubam, pois o estilo de vida que tem o rico exige um aumento de patrimônio que deve ser constante. Não vou entrar em detalhes, mas pense que o objetivo de um rico não é ser rico, mas ficar ainda mais rico, cada vez mais rico. Mais rico do que seu colega magnata.

Ódio petista e a lógica do ladrão de galinha

A revolta contra petistas e com a esquerda em geral tem muito a ver com a lógica do ladrão de galinha. Políticos que se envolvem em escândalos... digamos "realistas" e que tem origem no proletariado, com vários oriundos das classes populares, despertam maior ódio de quem acha que a vida política só deveria ser conduzida por barões com jeitão de lorde.

É muito mais fácil xingar alguém com auto-estima meio baixa, por pertencer  uma situação considerada desprezível. Não tem a menor graça humilhar em quem está em cima. Todos olham para FHC, cacique-mor do PSDB e não conseguem arrancar uma piada de sua aparência bisonha, mas estereotipadamente sofisticada. 

Por isso você não ouve piada sobre brancos, ricos, pessoas altas, lindas. Não há sentido humilhar quem está por cima. Legal mesmo é olhar para baixo e pisar naquela barata asquerosa que anda pelo chão. Elefantes não foram feitos para serem pisados: foram feitos para pisar.

Por isso que é tão divertido e um tanto "honroso" humilhar os petistas, mesmo que eles nada tenham feito para merecer qualquer tipo de xingamento. Essa gente esfarrapada dos chãos de fábrica formada por pé-rapados que querem tomar os lugares reservados aos elegantes lordes poliglotas e colecionadores de diploma, como os emplumados tucanos do PSDB. Mesmo que tais lordes diplomados sejam os verdadeiros ignorantes a arrebentar com o Brasil.

terça-feira, 2 de maio de 2017

O silencioso holocausto brasileiro

"Direitos Humanos para humanos direitos". Esta frase virou uma espécie de bordão nas bocas de conservadores, sobretudo fascistas. Não é difícil imaginar em qual perfil se encaixa os tais "humanos direitos" mencionados por esta turma que quer privatizar a dignidade como prerrogativa exclusiva de uns pequenos grupos de pessoas.

Desde que o golpe se deu, onde uma presidente que estava lutando contra a corrupção, foi acusada de corrupta para ser deposta e substituída por uma horda de mafiosos corruptos e entreguistas, uma onda de ódio vindo das elites, estigmatizadas como "responsáveis e generosas", está pretendendo varrer da sociedade todos aqueles que não se encaixam no perfil branco-cristão-capitalista-machista que representa o "cidadão de bem" e o "humano direito" defendido pelos conservadores.

Conservadores odeiam seres humanos. Para eles, pessoas só servem para fazer favores e cumprir ordens. Conservadores só se interessam por três coisas: valores, patrimônio e instituições. Acham que pessoas, sobretudo os pobres, atrapalham seus planos. Sonham com uma sociedade com menos pessoas para que os bens sejam abundantes apenas para os "homens de bem".

Claro que nada pode ser tão escancarado, apesar de muitos fascistas (a fração mais radical e teimosa dos conservadores) já não esconderem a sua maldade. Os próprios conservadores tem que parecer bondosos diante da opinião pública. Para isso, inventa-se defeitos na pessoa ou grupo a ser eliminado e traveste o ódio subjetivo em defesa objetiva. Como se a pessoa que não corresponde ao perfil de "humano direito" é que fosse alguém malvado a gerar danos à humanidade.

Pessoas que fogem do estereótipo de "cidadão de bem" têm sido vítimas frequentes de agressões. Mulheres mortas por maridos, mendigos sendo queimados, índios violentados, favelados mortos "confundidos com bandidos", gays linchados, ateus recebendo graves ofensas. O desejo de conservadores em tornar a sociedade homogênea ao gosto deles tem feito dos "cidadãos de bem" verdadeiros rotweilers humanos com a saliva da raiva babando sob suas bocas, com claras intenções de eliminar qualquer um que atrapalhe seu caminho.

Isso abre a porta para um verdadeiro holocausto tupiniquim, onde os "humanos direitos" cumprem o papel de "raça pura", a única a ser preservada viva e protegida em território brasileiro. Falam que é exagero igualar o Brasil de 2016 a Alemanha de 1930. Mas especialistas garantem, que salvas algumas diferenças, a essência do holocausto se mantem forte na sociedade brasileira do presente ano. As leis definidas por Temer & CIA deixam claras as intenções de matar aos poucos a população brasileira, sobrando apenas os eleitos pelas cartilhas conservadoras.

Tudo para que a dignidade, a felicidade e o bem estar estejam nas mãos de uma minoria, os tais "humanos direitos" mencionados nas mais sádicas cartilhas fascistas.

sábado, 29 de abril de 2017

A greve geral, os coxinhas mal informados e a fuga da realidade pela TV aberta

Eu gosto de ônibus. Mantenho, junto com este blogue, o Mobilidade Laranja, sobre transportes, mas que tem predomínio do ônibus, que é o sistema em que me mantenho melhor informado. No canto esquerdo tem uma lista de links sobre postagens mais atualizadas de blogues que eu acompanho. Três dos blogues sobre transportes, provavelmente escritos ou por coxinhas ou por incautos que tem a TV, jornais e as revistas das bancas como únicas fontes de informação.

Eu nem li os textos integralmente. Já no início (o link mostra as primeiras palavras do texto) deu para ver o ódio babando pela boca ao falar da greve geral ocorrida ontem. Uma greve que foi justa, pacífica e que reivindicava a preservação dos direitos trabalhistas garantidos pela CLT e pela Constituição. Os tais blogueiros destilaram uma aversão aos movimentos num claro sinal de falta de apoio à causa, como se as coisas pudessem ser resolvidas numa conversa entre patrão e empregado, em níveis bem opostos na relações trabalhistas.

Estes blogues foram apenas o exemplo que eu pude ter contato. Mesmo com as insistentes denuncias dos erros cometidos pela grande mídia, patrocinada por gananciosos empresários, ainda tem muita gente que confia nos meios de comunicação, achando que ela representa a população e respeita a democracia, quando se sabe que há mais de 50 anos a mídia nunca fez isso.

Mal informados acharam que greve geral foi ato de  vandalismo

Eu pensei no assunto. Como pode ter gente tão mal informada que sai do plano real e com base no que lê no jornal ou vê na TV faz um julgamento altamente preconceituoso contra as manifestações que de fato foram pacíficas e bem sucedidas, se baseando em falsos estereótipos para desmoralizar a greve geral, tratando a como "coisa de vândalos e irresponsáveis", ignorando o objetivo das reivindicações.

Certamente os que foram contra a greve de ontem pertenciam a dois tipos de pessoas: o das que não serão prejudicadas pela reforma trabalhista (na verdade uma minoria privilegiada) e o das que não sabem que serão prejudicadas pelas reformas, por estar em um emprego aparentemente estável (a reforma pretende acabar com a estabilidade), em uma situação financeira relativamente confortável ou ainda por estar mal informado sobre tais reformas. Ambos bem fora da realidade de gigantesca maioria dos brasileiros.

Brasileiros nunca foram um povo unido em assuntos sérios. Só costuma se unit maciçamente em campeonatos de futebol, achando que a conquista de um título no futebol traria dignidade e quantidade de vida à população. Já ouvi trouxas dizerem que a conquista do Brasil no futebol "fazia a economia se desenvolver" porque "brasileiros trabalhariam felizes", uma declaração de uma infantilidade irresponsável. Completamente fora do mundo real.

E é neste mundinho de fantasia midiático em que vivem os que foram contra a greve geral, achando que foram um bando de baderneiros que saíram as ruas ontem. Ninguém falou que os fascistas que pediram a saída de Dilma em 13 de março de 2016 eram baderneiros. Os anti-esquerdistas, súditos do pato da FIESP, é que foram realmente vândalos, escancarando sua agressividade egoísta.

E por causa dos "cidadãos de bem" que saírem em 13/3 que um bando de verdadeiros baderneiros se prepara para destruir não apenas prédios e praças, mas todo o Brasil, vendendo-o para estrangeiros que poderão se instalar aqui e fazerem o que quiserem, arruinando com a nossa soberania, um de nossos direitos básicos. Se você acha lindo estrangeiros controlarem o Brasil, imagine pessoas invadindo a sua casa alegando propriedade e te expulsando, só permitindo o retorno mediante pagamento de valor muito alto. Imaginem.

A greve foi pacífica e bem sucedida. Vândalos vieram do lado dos conservadores

A greve foi bem sucedida e pacífica. os vândalos foram recrutados pelas empresas e instituições interessadas nas reformas trabalhistas que pretendem escravizar a população para vendê-las quase de graça para os especuladores estrangeiros. Os vândalos estavam do mesmo lado dos que criticaram a greve e foram pagos para agir com a finalidade de desmoralizar as manifestações para que as reformas que pretendem devolver o Brasil ao final do seculo XIX sejam legitimadas.

Entidades sérias e intelectuais consagrados apoiaram a greve e as manifestações que ocorreram durante o evento. Vi entrevistas e declarações de lideranças organizadoras pedindo com insistência a maior cautela, paz e respeito nas manifestações. A tradicionalmente altruísta esquerda hoje está amadurecida, respeitosa e disposta ao diálogo. 

Já a direita virou especialista em xingar seus opositores, incapazes de oferecer alguma opção plausível ao que condenam. Observando os vídeos de conservadores no YouTube, temos a certeza de que lado viriam os vândalos, gente especialista em agredir pessoas e destruir as coisas. Exatamente como os integrantes e patrocinadores do Governo Temer estão fazendo.

Procure um número maior de fontes de informação, antes de dizer besteira

Se você ainda acha que a greve foi um festival de vandalismo, você é preconceituoso, mal informado e odeia seres humanos. Em prol da ganancia, você concorda que muitas pessoas podem sofrer ou até morrer para que os interesses de poucos privilegiados sejam preservados. E mesmo assim, se você se considera um "cidadão de bem", sinceramente você não sabe o que é "ser do bem". Querer o prejuízo alheio é "ser do bem"? Complicado.

As pessoas devem ter o maior número de fontes de informação. Não digo para ignorar TV e jornais. mas procure verificar se o que está sendo dito é real e se as imagens não estão sendo editadas. Os donos da grande mídia são pessoas interessadas no prejuízo da maioria dos brasileiros e isso foi comprovado inúmeras vezes. 

Você ainda vai acreditar em quem quer destruir do país? Se eu fosse você, eu não acreditaria. Os vândalos estão nas redações dos grandes jornais e revistas e na telinha da TV corporativa. Com eles é que a gente deve tomar o maior cuidado.